Publicado por: seusuperego em: 22 22UTC Janeiro 22UTC 2011
Olá você que é corajoso e que ainda vaga por esse blog jogado às moscas.
Olá.
Não sei se já falei aqui, mas Jeannie Nitro – o romance que deu origem a esse blog – bem, Jeannie Nitro morreu.
Morreu porque, agora vejo, ele foi uma preparação. Como foram todos os outros romances frustados que escrevi antes dele.
É engraçado que, por vezes, o escritor esquece que sua função (escrever) só lhe vem sem litros de suor depois de muito esforço (romances frustados, por exemplo), já que se quer escrever bem (penso).
Se dá muita trela a inspiração, que na verdade, é só um ponto de partida bem do obscuro. Exemplo: você tem uma ideia inicial, uma imagem, uma frase, um cenário. Escreve sua história e pronto. Vamos publicar e ter sucesso. Posso garantir que o texto vai tá um bosta, porque escritor tem resistência de mudar a história, de transformar em cima da ideia já pronta, de estender, trocar parágrafos, acrescentar capítulos, deletar outros tantos. Tem resistência de se preparar, como aquele nadador olímpico que passa quase uma vida inteira na piscina treinando só para ter um pouco mais de um minuto no pódio da conquista.
Escritor tem a mania feia de achar que nasce sabendo. Como se fosse extraterrestre do mundo Nasci Sabendo, Não Preciso de Esforço.
Depois de muito bater cabeça em parede, digo: isso não existe.
Jeannie Nitro foi uma preparação para A História de Guilherme O., assim como o Guilherme foi uma peparação para No Ano da Serpente: romance que terminei ano passado e que ainda não consegui encaixar ou na prateleira dos treinos, ou na dos pódios.
O tempo (é o esforço que faço nele) é quem dirá.