Novos escritores?

6 06UTC Fevereiro 06UTC 2010

Não sei se estou muito equivocada. Pode ser que não, mas né? Sempre existe a possibilidade.

Estando ou não, a impressão fica.

A internet é, sem dúvida, o passo primeiro para muitos pseudo-novos-escritores: blogs, orkut, sites de publicação…

No orkut, por exemplo, tem um milhão dessas comunidades que reune todo tipo de escritor: aqueles verdes demais, aqueles já prontos pro mundo editorial, aqueles numa transição… mas existe também aquela categoria insosa de escritor que se ACHA PRONTO. E o pior, se acham prontos e os outros nunca preparados.

Nunca, jamais, ninguém estará pronto. Em nada. Vamos combinar, certo? Quanto mais um escritor.

É gente arrotando Camus enquanto escreve uns textos sem sentido  e sem o mínimo de NADA. Insoso, como eles mesmos.

Escrever é um eterno aprendizado, e tantos grandes autores renomados reconhecem isso em seu próprio trabalho, ajudando as gerações seguintes,  e vendo isso me pergunto como esses “escritores”, que vejo hoje no anonimato de uma comunidade de orkut, irão se portar se algum dia atingirem o mínimo de reconhecimento.

Se é que conseguirão, já que estão tão ocupados em achar lama no texto alheio que não limpam os próprios.

… e o fim?

1 01UTC Fevereiro 01UTC 2010

Tô com muito sono nesse momento, além de um pouco anestesiada, mas não podia passar em branco: terminei Jeannie Nitro. Quer dizer, não de todo. Terminei o que seria a primeira versão, agora vem todas as revisões, as exugadas, e o puxa-puxa de palavras e ideias, ou seja, pouco sobrará. Vai ser outro parto, que vou narrar aqui também, e que penso : vai ser até mais doloroso que esse que ponho um ponto final hoje.

Tenho muito pra contar, mas o sono não deixa. Volto depois e muito obrigada a quem desperdiça um poquinho do seu tempo pra vim aqui dar uma olhadinha no Nitro.

Me desejem sorte.

Por que não pediram a Evans?

30 30UTC Janeiro 30UTC 2010

Enquanto escrevia Nobiskrug, eu pensava no Hotel Kefren.

Enquanto escrevia o Hotel Kefren, eu pensava em Jeannie Nitro.

Enquanto escrevo Jeannie Nitro eu penso em uma enfermeira, em um cara drogado, em uma menina em Nova York.

Deus me ajude.

Capítulo 2.

29 29UTC Janeiro 29UTC 2010

“As tradições populares posteriores à Idade Média sabem que os defuntos formam uma comunidade. Eles tem sua própria taberna, chamada Nobiskrug, acima do Reno, onde gastam o dinheiro que os vivos colocaram no seu túmulo.”

Claude Lecouteux.

Vai aqui e pega o capítulo 2 de Nobiskrug.

Se você ainda não leu o capítulo 1 é só ir aqui.

Oficinas Literárias.

22 22UTC Janeiro 22UTC 2010

De ofinas literárias eu nunca participei, mas escutando um e outro pseudo-autor (me incluo nessa categoria, hein), essas tais oficinas não são bem vistas. Parece que para alguns, participar delas é um golpe baixo do autor, um furo no olho num meio de uma briga de pau.

Da mesma forma são vistos os tais livros com a mesma proposta, que seria a de ajudar os que se porpõe escrever: Dar dicas. Exemplo desse tipo de livro é o Oficina de escritores, do Stephen Koch:

O que eu escuto por aí é que como se escritor já nascesse pronto e nunca poderá ser fabricado. Concordo em parte, porque para mim essas ofinas e livros nunca vão ajudar de fato se você não tiver uma manha com as palavras, você até pode por tudo em prática mas se sem o talento, fica difícil.

E porque em tudo você precisa de orientação, de novas descobertas, em tudo. Se você optar por ser vendedor, tem saber das manhas dos vendedores antigos, por mais que tenha jeito pra coisa. Se for professor, idem. Empresário, também. Pesquisador, cientista etc etc, porque excluir então um escritor?

E, acho que tenho a resposta: alguns pensam não só naquele talento lá em cima que já falei, mas também na inspiração. A maldita inspiração que não é nem 10% do trabalho que a gente tem.  Você não pode querer se igualar a um Dostoiévski ou uma Jane Austen, sem comparar a escrita dos dois mas, eram gênios no que se propunham fazer, ali, escrevendo com papel e pena… Eu particularmente não me considero gênio, me considero esforçada e com certo jeito. E só. O que puder me ajudar é lucro. Por isso, já comprei o livro.

Ha Ha – Ho Ho

E enquanto ele não chega, fiz alguns exercício que achei na internet. Muito divertido, quem queiser tentar, ao menos passa o tempo.

LISTAS:

1. Lista de compras – já pensou no que realmente compraria, se não tivesse nenhuma limitação financeira ?

2. Lista de pessoas que você convidaria para uma festa.

3. Lista das coisas que você mais odeia .

E por aí vai.

Quer ver algumas das minhas respostas? Então vai no Seu Superego.

Forma e conteúdo.

15 15UTC Janeiro 15UTC 2010

Saramago é amado por muitos e odiado por tantos outros.  Mas sem dúvida, um gênio no que propõe.

Muitas críticas direcionadas a sua literatura dizem que ela  valoriza muito mais a forma do que o conteúdo.

Saramago, de fato, tem um estilo próprio, posso citar aqui: o uso não convencional da pontuação, as frases inacabavéis e, o que mais me fascina, os diálogos inseridos no texto, sem sair da narrativa, sem uso dos travessões, apenas separados pelo uso de uma estratégica vírgula e uma letra maiúscula como sinal de mudança, Assim.

Saramago, portanto, preza por uma fluidez na narrativa: pensamentos  juntos com fala, realidade, sonho. Essa fluidez faz o leitor mais desavisado correr nas palavras, engoliando-as e, se não se envolver, acaba preso na incompreensão.

Gênio.

Quem também utiliza muito esse estilo (não só ela Saramago faz escola) e já começou a sofrer criticas sobre a forma sobrepujando o conteúdo foi Carol Bensimon, quem leu Pó de Parede  (Não Editora) ou Sinuca embaixo d’água (Companhia das Letras), viu.

Depois da leitura de uma literatura assim comecei a pensar que o ponto final, o espaço, o travessão, instrumentos que tradicionalmente se usa para comerçar um diálogo.

- Assim, é como se o mundo parasse para o personagem falar.

A fluidez se perde nesse momento.

Jeannie Nitro também vai nesse processo. Não só ele, mas percebo que nos meus novos escritos começo a suprimir longos diálogos e travessões e toda essa jogada que enquadra as falas dos personagens.

Aliás, para mim, escrever diálogos é uma das coisas mais difíceis para um escritor. Se você errar a mão ele vai soar forçado, feio, falso. E o leitor vai sacar o quão medíocre você é.

Agora, pensando assim, não saberia dizer se quebrando minha cabeça na forma de contar, me esqueço do conteúdo.

O que seria afinal um bom conteúdo?

?

15 15UTC Janeiro 15UTC 2010

Pra quê?

Pra quê eu optar por tanto trabalho?

Dia difícil.

Formas.

8 08UTC Janeiro 08UTC 2010

Sei nem o que falar sobre essa vida.

Sobre esse calor.

Sobre esse sono que teima em me perseguir.

Sobre Jeannie Nitro que parece fenecer e por mais que eu já tenha passado por isso antes, essa coisa de achar que o livro terminou sem atingir as páginas finais porque simplesmente parece que se esgotaram todas as possibilidades, por mais que já tenha vivido isso  e, em todas essas vezes, consegui superar, é sempre horrível quando acontece de novo.

Porque quando acontece de novo eu acho que é A vez.

A vez de acabar com tudo, jogar a toalha e dizer pra mim mesma que, Não. Não levo jeito. Isso porque quando sai alguma coisa, acho torto, acho feio. Quando sai.

Eu já senti isso antes e passei mais de oito anos sem escrever.

Nobiskrug.

5 05UTC Dezembro 05UTC 2009

Quando eu tinha uns 14 anos, acho que antes até, decidi que ia parar de escrever.

Não sei ao certo as causas que me levaram a isso, devo ter uma ideia apenas. Talvez porque achasse que aquilo não ia a lugar nenhum (coisa que ainda acho); ou porque não gostava do escrevia (o que não mudou muito) ou sei lá… Cansaço, pessimismo, falta de força de vontade… essas coisas que todo mundo sente.

O negócio é que de fato parei de escrever e, só agora, consigo ver o quanto isso me prejudicou: primeiro que fiquei, naquela época, muito mais rabujenta com a vida do que costumo ser normalmente; outra coisa é que, desaprendi a escrever e aí, quando voltei, tive que recomeçar do zero e isso foi muito chato.

Muita chato mesmo. É como se você tivesse que aprender a andar novamente. É algo solitário e dolorido.

Quando voltei a escrever de fato, mas nunca seriamente, eu resolvi fazer um romance, apenas com duas ideias na cabeça: as sensações e informações que uma disciplina na faculdade me fazia ter. A displina se chamava História das ideas sobre Natureza, ou coisa que valesse, e na época estavamos vendo algo sobre medicina escrementicia (sague e coisas afins) e fatos sobrenaturais e enfim, discussões bastantes instigantes… sério mesmo. Foi daí que nasceu a ideia de fazer Nobiskrug e comecei a escrevê-lo. Nada de sério, nada de nada, na verdade. Só um exercício pra ver se eu conseguia escrever alguma coisa e escrevi, de fato. Consegui terminar, apesar de não gostar muito dele e tudo mais.

Então que  disponiblizo o Capítulo 1 pra vocês lerem.

Quero lembrar aqui que melhorei depois dele viu?  Não muito, mas melhorei.

O velho safado.

21 21UTC Novembro 21UTC 2009

Desde o primeiro livro que li de Bukowski, não tenho certeza, mas minha escrita mudou.

Não sei se posso falar de um estilo próprio, porque ainda tô procurando isso. Mas acho que, pelo menos, alguma coisa de Bukowski ficou em mim, nem que seja só a admiração que tenho pelo jeitão que ele escreve e que sempre me acompanha.

Ninguém pode alcançar Bukowski no sentido de desprendimento, tanto na história, quanto nas palavras usadas. Pelo menos ainda não vi tal escritor. Não sei se isso era proposital, digo, o desprendimento. O texto jogado, as história cuspida. O que posso afirmar é que ele devia trabalhar muito nos textos, porque fazer com que algo saia simples é muito difícil. São horas e horas revisando, coisa que me angustia demais, morro de preguiça mas sei que é necessário.

Se não. Se não era proposital, só existe uma palavra pra definir o velho safado: gênio.

E foi então que lendo PULP, último livro escrito pelo velho antes dele partir, que eu encontro uma personagem chamada Jeannie Nitro. Alienígena do planeta Zaros, Jeannie inferniza a vida de um cara que pede ajuda ao detetive particular Belaine para se livrar dela.

O NITRO no nome dela já explica tudo né?

Fiquei com esse nome na cabeça por dias a fio e quando, meio sem querer, fui escrever um textinho que eu pensei que não ia levar a nada, o batizei com ele. O textinho acabou entrando, também meio sem querer, na parte inicial do romance que eu decidi escrever e aí eu pensei, Por que não? Por que não tudo ser Jeannie Nitro?